Varejo de calçados investe em lojas de tênis só para crianças

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

O poder da influência das crianças nas compras cresceu no varejo de calçados. Como acontece com os públicos feminino e masculino que contam com lojas específicas, as crianças começam a ganhar lojas de tênis só para elas. A Authentic Feet, a World Tennis e a Fast Runner estão criando novos braços de negócios destinados exclusivamente ao universo infantil.

Com 50 lojas no país, a Authentic Feet inaugura em abril, na região do Grande ABC (SP), uma unidade que venderá somente tênis para crianças. Neste mesmo mês, a Fast Runner, especializada em artigos esportivos, abre no Shopping Iguatemi Campinas a Magic Feet, loja para quem tem até 12 anos.

A meta da Authentic Feet é montar uma rede com 20 franquias da Magic Feet nos próximos dois anos. “As vendas no segmento kids crescem em média 10%, contra 7% do masculino e feminino”, diz Salomão Salum, sócio da Authentic Feet. Outro fator que motivou sua entrada nesse nicho é a rotatividade de compras. Entre os seus clientes, 53% adquirem um par de tênis para seus filhos a cada seis meses, com tíquete médio de R$ 100.

Outra grande varejista que está apostando nesse nicho é a World Tennis. A empresa, pertencente ao proprietário da antiga Dic Calçados, criou recentemente a World Tennis Kids e já está presente nos shoppings Sorocaba, Piracicaba, Taboão (SP) e Catuaí Londrina (PR). Estão previstas também inaugurações nos shoppings Tatuapé e West Plaza (SP) e no Shopping Aquarius – Marília (SP).

Essa segmentação é um fenômeno recente e ainda há grande carência desse tipo de loja, principalmente em shopping centers. “Atualmente, há apenas duas grandes varejistas de calçados para o público infantil, a Centopéia e a Nôa Nôa. Há muito espaço para ser explorado”, diz Luis Henrique Stockler, sócio da consultoria especializada em calçados Dubnet. O desempenho das duas empresas vai de vento em popa. A Nôa Nôa comemora expansão de 20% no faturamento em 2007 em relação a 2006. A rede possui 12 lojas e inaugura mais uma no próximo mês. Criada há oito anos por Sabrina Tenenbaum, ex-funcionária da Nôa Nôa, a Centopéia tem seis unidades próprias e abrirá mais duas nos shoppings Cidade Jardim e Bourbon, em São Paulo.

A maior parte das varejistas e das fabricantes de marcas importadas ainda investe pouco no consumidor infantil. Na Centauro, que possui quase 100 pontos de venda, esse cliente representa entre 8% e 9% do faturamento.

Na Decatlhon, que desembarcou no Brasil em 2001, os modelos infantis são apenas um complemento da linha adulta, diferentemente do que ocorre nos demais países. Nas 400 lojas da rede francesa no mundo um dos tênis mais vendidos é um modelo infantil.

As fabricantes estrangeiras também estão de olho na criançada e planejam aumentar a sua participação em um mercado dominado pelas empresas brasileiras. Esse interesse não é à toa. Segundo estimativas da Nike, o segmento de calçados infantis no Brasil movimenta US$ 1 bilhão e cresce 5% por ano. Na Adidas, a representatividade da garotada hoje é de apenas 3% do faturamento. Mas, a meta da fabricante alemã é aumentar esse índice para 8% nos próximos dois anos. Entre 2006 e 2007, o faturamento dos tênis para o público de até 14 anos saltou 260% na Adidas.

“Nossos 15 maiores clientes informaram que pretendem abrir uma loja ou ter uma área específica para crianças”, diz Carla Salvador, gerente de Training e Kids da Adidas. Na concorrente Puma, as vendas em 2007 aumentaram 30% e a expectativa para este ano é de um crescimento de mais 50%.

Há dois anos investindo no público infantil, a Fila quer aumentar a fatia dessa clientela dos atuais 3% para 7%. Tanto as fabricantes alemãs como a italiana importam seus calçados. As barreiras de importação como preço, grades de encomenda e tempo de entrega, têm ajudado as empresas brasileiras e marcas internacionais com produção local.

Em 2007, a Olympikus, da Azaléia, vendeu 500 mil pares de tênis infantis, o que significa uma alta de 423%. A Calçados Bibi, que fez grande sucesso com os tênis de rodinhas, fechou 2007 com faturamento de R$ 100 milhões e uma produção de 3 milhões de pares. A Kidy Calçados, de Birigui, teve crescimento de 10% na receita que atingiu R$ 80 milhões. A Tiptoe produziu 1,8 milhão de pares, uma alta de 20% entre 2006 e 2007. Já a Reebok diz que seu diferencial é a produção local. “Somos uma marca internacional, mas a nossa fabricação é feita no Brasil. Com isso, temos flexibilidade nos pedidos e não trabalhamos com grades fechadas como acontece com as demais marcas, diz Walter Andrade, gerente de vendas da Reebok.

Valor Econômico – 20/02/08

Comments

comments

Comments

comments