O trabalho do futuro, as escolas do passado, as crianças super conectadas

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

(por Martha Bevilacqua)

Há poucas semanas, a capa da tradicional revista Time dizia assim:

“Há dez anos, o Facebook não existia. Dez anos antes disso, a Web não existia. Portanto, quem pode dizer quais serão os empregos daqui a dez anos? Ninguém será pago apenas por aparecer na empresa. Nós teremos um mercado de trabalho mais flexível, mais free-lance, mais colaborativo e muito menos seguro.”
 
Eu aposto nessa tendência. Trabalharemos mais de casa, utilizaremos mais a tecnologia e as ferramentas disponíveis, teremos sim que cumprir metas estabelecidas, mas não teremos um chefe ao alcance dos olhos e acredito que teremos mais qualidade de vida e mais realização.

Sou otimista em relação à evolução humana, seremos sim mais felizes. Mas a pergunta que paira no ar hoje é: será que nossas crianças estão sendo preparadas de forma adequada para esse futuro?

De fato, as crianças hoje são mais conectadas, adoram interatividade e são totalmente multitarefa. Assistem TV, navegam na internet, falam no MSN e escutam música em seus iPods, tudo ao mesmo tempo. O que para nós, adultos, se parece com um grande ruído confuso, para eles é o ambiente natural do dia a dia.

As crianças de hoje pensam diferente, associam idéias e elaboram o raciocínio de forma diferente, o desenvolvimento cognitivo é diferente. Existe inclusive a teoria que defende que o cérebro dessas crianças será fisicamente diferente.

Mas voltemos à pergunta: será que nossas crianças estão sendo preparadas de forma adequada para esse futuro? O que as escolas estão fazendo diante de tantas transformações? Me parece urgente que os currículos escolares sejam revistos e que a metodologia seja totalmente reformulada.

Porém, a máquina das instituições federais caminha de forma bem lenta… É a contra-mão do mundo atual, sem metas, sem horários, sem perspectivas no futuro. E os alunos parecem cada vez mais entediados, desestimulados.

A escola deve ser um lugar de energia, de explosão criativa, de troca de conhecimento, de INTERATIVIDADE. A criança deve ser PARTICIPATIVA na construção do conhecimento e não mais um ouvinte passivo. É preciso falar mais alto sobre essa questão para que as instituições competentes se pronunciem a respeito. Afinal estamos em pleno século XXI com uma metodologia do século XIX. Ir a escola hoje parece até uma viagem no túnel do tempo.
 

Martha Bevilacqua é sócia do site infantil Smartkids.

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