A relação entre criança e consumo no Brasil

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O projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, entrevistou a Sra. Carmen Migueles, autora e organizadora do livro “Antropologia do consumo: casos brasileiros”. A autora falou na entrevista sobre a relação entre a criança e o consumo no Brasil, de uma perspectiva antropológica.

Migueles é professora da Fundação Dom Cabral, doutora em Sociologia das Organizações e mestre em Antropologia pela Universidade de Sophia (Japão).

Veja abaixo o que ela disse:

“Se olharmos por uma perspectiva antropológica, perceberemos que a relação entre criança e consumo no Brasil é resultante de uma transformação na sociabilidade contemporânea.

Até a virada do século XIX para o XX, a criança era considerada um adulto em escala menor e não era tratada de forma especial. Só possuía o que a família pudesse prover e, enquanto não conseguisse ajudar no sustento econômico familiar, não tinha voz ativa sobre consumo. Na realidade, com o surgimento e a expansão da psicologia, da psicanálise e da pedagogia, as sociedades inventaram novas classificações para desenvolvimento humano, isto é, a primeira e a segunda infâncias e a adolescência. Os trabalhos da psicologia e da pedagogia começaram a ser usados para pensá-las e acabaram preparando os pequenos seres humanos para o mundo adulto. Com isso, a nossa sociedade ocidental, de modo geral, decidiu permitir que as crianças exercitassem a livre-escolha.

Com a diminuição do número de filhos e a impossibilidade dos pais darem mais atenção aos mesmos [por causa das constantes exigências do mercado de trabalho], a criança começa a se transformar em um pequeno ditador doméstico que define o que quer e como parte do orçamento familiar será alocado para a satisfação de seus desejos. Através desse processo, a criança entra fortemente no domínio do consumo e, dessa forma, acaba causando um impacto significativo nos gastos familiares.

É claro que não podemos esquecer do papel da mídia que vê as crianças como consumidores em potencial e utiliza o novo poder infantil dentro do ambiente doméstico para atrair novos consumidores.”

Fonte: Criança e Consumo – 31/01/08

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