Publicidade para crianças

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Confira
artigo que discute o Código Brasileiro de Autorregulamentação
Publicitária, que aborda as permissões do que é possível ou não
divulgar para as crianças.

Que
tal criar, produzir e veicular anúncios voltados para o público
infantil, em que os argumentos de venda das marcas valorizem e
estimulem a amizade, a urbanidade, a honestidade, a justiça, a
generosidade e o respeito às pessoas, aos animais e ao meio ambiente?

Que tal criar, produzir e veicular anúncios voltados para o público
infantil, em que os argumentos de vendas das marcas contribuam para o
desenvolvimento positivo das relações entre pais e filhos e alunos e
professores?

É simples: basta ler e seguir o que está escrito no Código
Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Está tudo lá, com
absoluta clareza. Só não vê quem não quer, seja porque não quer seguir
as recomendações do código, seja porque não quer ver no código recursos
suficientes para a proteção da criança frente à publicidade.

É preciso deixar claro que não existe incompatibilidade entre
publicidade e infância. A publicidade é como toda a mensagem que chega
à criança, em casa, na rua, na escola, na casa dos amigos… Pode ser
boa e pode ser má. Ninguém consegue controlar tudo o que uma criança vê
e ouve o tempo todo. A melhor proteção da criança, portanto, é a
qualidade da sua educação. 

Quem cria e produz publicidade tem tempo para avaliar a qualidade da
mensagem que estará veiculando. Isso é uma vantagem para a publicidade
no processo de educação da criança, pois ela pode ser pensada com
antecedência e constituir uma mensagem positiva. Inclusive, como
contraponto às tantas mensagens sem nenhum tipo de critério a que a
criança está exposta o tempo todo, inclusive em sua própria casa.

A melhor resposta àqueles que elegeram a publicidade como “inimiga”
da criança e que trabalham para proibi-la é demonstrar que a
publicidade, pelo contrário, é necessária, em todo seu potencial de
eficácia, para a sua melhor formação. As crianças não crescem para
viver enclausuradas, em redomas de vidro ou internadas em conventos.

Por isso, é preciso tomar cuidado, sim, mas é com as mensagens de
padrão “oficial”, incompatíveis com a linguagem que a criança adota na
vida em grupo, ou por métodos saturados de um academicismo viciado e
incompatível com a vida real, e que, muitas vezes, tratam as crianças
como mentalmente deficientes. É preciso que nos utilizemos dos recursos
criativos da publicidade para que mensagens de qualidade ética cheguem,
eficientemente, às crianças e contribuam positivamente com seu
desenvolvimento psicológico e intelectual.

Sem caretice, sem sectarismo, sem dogmatismo cego, é possível reunir
os interesses da sociedade com os interesses comerciais das marcas. A
publicidade tem o conhecimento, a experiência e o ferramental para
comunicar-se melhor.

Por isso, estabelece uma empatia maior com a sociedade. A pergunta
é: por que proibir aquilo que pode ser útil nos objetivos de educar e
orientar as crianças? Quem disse que esses objetivos são
necessariamente inconciliáveis com os interesses das marcas?

A adoção de conceitos de marketing focados na preservação do meio
ambiente, por exemplo, deu-se naturalmente na vida das empresas.
Ninguém precisou proibir nem censurar nada. Os anunciantes não são
idiotas. Seu marketing tende para onde tende a opinião pública. É
simples: quem quer vender precisa ser aceito.

A publicidade anda na esteira do comportamento da sociedade. Já
temos mecanismos suficientes em vigor para proteger o consumidor. Há
pouco tempo, o Ministério Público de São Paulo entrou com recurso no
Conar, pedindo a suspensão de anúncio da Petrobras que enaltecia os
cuidados da empresa com o meio ambiente.

O motivo era o fato da Petrobras comercializar um óleo tido como
poluente. É necessária demonstração maior do exercício da democracia?
Não há necessidade de se proibir nada, basta fazer valer código em
vigor.

Portanto, vamos fazer publicidade para crianças, sim! Vamos criar,
entre elas, empatia com as nossas marcas, sim! Mas vamos usar o
mecanismo poderoso da comunicação de marketing para associar nossas
marcas às suas melhores atitudes. Isso vai ser bom para todos e, o que
é muito importante, vai desarmar os espíritos com vocação para o
autoritarismo e para a tutela da sociedade.

É preciso demonstrar claramente que a alternativa à pior liberdade
não é a melhor censura. Mas o compromisso de todos com o bom senso.


Fonte: PropMark – 09/04/2009

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