Pequenos que movimentam milhões

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O público infantil é nicho que atrai investimentos maciços e se torna estratégico para planejamento das empresas.

Esta é a época em que as vitrines trocam as coleções e deixam de chamar nossa atenção por conta das promoções, começando a mostrar as principais novidades para o inverno. Mas o que não costumamos a nos atentar é para algo que acontece mais ou menos um metro abaixo de nossa faixa de visão: as vitrines infantis. As lojas e marcas investem pesado para chamar a atenção das crianças, público cada vez mais exigente e prioritário no orçamento familiar e claro, dos papais e mamães.

Segundo Germano Costa, gerente de vendas da confecção infantil Brandili, o segmento tem se tornado menos sensível às variações da economia. “Isso acontece porque, na família, a criança sempre é a primeira a ser contemplada”, completa.

Esse filão não é novidade para as empresas, que há muito já produzem produtos específicos para a faixa etária do 0 aos 11 anos. Porém, o que vem chamando a atenção são as estratégias aplicadas para conquistar os pequenos consumidores.

Inventando moda
Uma das táticas utilizadas é investir no desenvolvimento de personagens para estamparem os mais diversos produtos. Detalhes como qualidade e preço são atrativos que convencem os pais. Mas, segundo o gerente da Brandili, na hora da compra o que seduz os pequenos é o visual dos produtos. E se engana quem pensa que basta um super-herói ou uma personagem carismática para vender algo para as crianças. “Hoje, os produtos para o público infantil exigem tanta atenção para o seu desenvolvimento quanto os destinados para o adulto, ou mais”, conclui Germano.

A Brandili, por exemplo, foi a primeira a trocar o tradicional vestidinho vermelho da personagem principal da Turma da Mônica. “As meninas já são ligadas em moda desde pequenas e querem ver suas personagens preferidas de forma mais fashion também”, conclui Gisélia Brandes, gerente de marketing da empresa. E quem acredita que essa mudança causou ciúmes no criador dos personagens, Maurício de Souza, engana-se. O trabalho artístico realizado pela Brandili para o licenciamento foi muito elogiado por Maurício.

Aposta certa
O balanço econômico de 2006 divulgado pela Brandili pode ser um dos demonstrativos de como investimentos para este público dão retorno positivo. Mesmo em um cenário de retração de 2% da indústria têxtil brasileira – dados de 2006 da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) – a empresa fechou o ano com 17% de crescimento e anuncia uma expectativa de aumentar em 40% suas vendas em 2007.

Outro exemplo foi a bem sucedida participação da empresa na Fenin (Feira Nacional de Moda Inverno) que aconteceu em janeiro na cidade de Gramado, RS. Durante o evento, a Brandili superou as expectativas de vendas para os lojistas, negociando mais de 2 milhões e meio de reais nos quatro dias de feira. Germano atribui o sucesso, entre outras coisas, ao principal lançamento da Fenin, a linha Tutti Cuti que também superou o esperado. Foram negociadas cerca de 25 mil peças no evento, 25% do total planejado para a coleção inteira. A meta estava prevista para ser alcançada apenas em abril deste ano.

Fonte: Revista Fator – 19/05/07

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