Pequenos grandes imperadores

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A carinha levemente tombada, acompanhada de um beicinho inocente e de um famoso “manhê, eu quero, por favor” é praticamente irresistível para os pais nos supermercados.

De acordo com o instituto de pesquisas TNS Interscience, a cada 10 famílias com filhos que saem às compras, sete vão acompanhadas das crianças, que dão palpites determinantes na hora de escolher o que levar para casa.

Não é à toa que o setor capricha em estratégias de marketing para atrair os olhinhos e as mãozinhas desses pequenos grandes imperadores do consumo que respondem em média por 6% do faturamento anual, de acordo com a Associação Mineira de Supermercados (Amis).

Só no ano passado, iogurtes, fraldas, balas, leite, produtos de higiene e outros itens voltados para a garotada renderam R$ 225 milhões aos supermercados de Minas. Para este ano, a cifra deve subir para R$ 234 milhões, já que a expectativa de crescimento é de 3,5%.

“No mês das crianças, em outubro, a participação é ainda maior e sobe para 10% do faturamento”, afirma o superintendente da Amis, Adilson Rodrigues.

Na companhia das crianças, os pais gastam em média 14% a mais do que gastariam sozinhos, como mostra uma pesquisa da LatinPanel, encomendada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

“O estudo foi feito para crianças de até 5 anos. No entanto, o percentual de gastos extras para a faixa de até 12 anos não é muito diferente”, afirma o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira.

Resistência
Mas se todos os desejos fossem atendidos, o gasto seria bem maior do que estes 14%. A convite do jornal O TEMPO, a bancária Maria do Carmo Magalhães foi a um supermercado com uma lista na mão e os dois filhos a tiracolo. A reportagem acompanhou a missão.

O objetivo era comprar somente o básico. Porém, ao longo do trajeto, Ana Clara, 10, e Rafael Magalhães Barcelos, 7, fizeram 20 pedidos. Se todos fossem realizados, a mãe gastaria 221% a mais do que planejou.

A compra da lista, incluindo arroz, feijão, açúcar, leite, carne, macarrão, biscoito, óleo, café e suco, ficaria em R$ 43,61. Já os pedidos das crianças custariam mais R$ 96,68. Foram quatro tipos de biscoitos, três de chocolates, quatro tipos de iogurte, além de balas, salgadinhos, sorvete, cereal e brinquedos.

Nas gôndolas, todos os objetos de desejo estavam estrategicamente distribuídos para fisgar os consumidores-mirins que tanto rendem aos supermercados.

Estratégia
O enorme potencial de consumo dos pequenos é astuciosamente explorado pelos supermercados com disposições que facilitam a visualização e o acesso das crianças. Para os menores, que ainda não sabem andar, os carrinhos de bebês ajudam a alcançar os produtos desejados.

Segundo o superintendente da Amis, sejam para as crianças ou para os pais, o planejamento do marketing é fundamental para atrair aqueles que, além das compras do dia-a-dia, precisam encontrar presentes de última hora, roupas, itens de higiene infantil e tudo que os filhos precisam num único lugar.

“Setores temáticos, fraldários, cantinhos com brinquedos e monitores, layout, estratégia de exposição dos produtos, tudo isso é importante não somente para atrair as crianças, mas principalmente para facilitar a vida dos pais, pois são eles que vão comprar”, afirma Rodrigues.

Queila Ariadne – Jornal O Tempo

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