Pequenos e fortes consumidores

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Não é só pedindo ou chorando, com a famosa “birra”, que crianças conseguem o que querem. Seja com o próprio dinheiro, dos pais ou parentes, pequenos são também consumidores diretos de produtos e serviços infantis. Noções de gasto e economia não faltam às crianças, que chegam a influenciar hábito de consumo dos pais. Mas educação financeira infantil deve ser feita de maneira supervisionada para que relação entre criança e dinheiro seja saudável, afirmam especialistas.

Pesquisa Kids Experts, realizada pelo Cartoon Network, mostra que 43% das crianças entrevistadas são consumidoras diretas, mas compram com dinheiro dos pais ou parentes, e 39% compram o que desejam com o dinheiro que ganham de mesada. Do total de 1,2 mil entrevistados, apenas 18% responderam que pedem as coisas que gostariam de ter, ou seja, são consumidores indiretos. Além do potencial de consumo direto dos pequenos, levantamento constata que filhos influenciam pais na hora de consumirem.

Entre crianças de 6 e 7 anos, a maioria, 49%, é consumidora direta, através do dinheiro dos pais. Dos 8 aos 9 anos, o número de crianças que compram com o próprio dinheiro cresce para 29%, porém não ultrapassa o número das que compram com dinheiro dos pais, que são 42% delas. Com mais independência, dos 10 aos 11 anos, quantidade das que compram com o próprio dinheiro empata com as que compram com o dinheiro dos pais, em 42%.

Segundo economista Aurélio Troncoso, tanto a mesada quanto o cofrinho fazem das crianças consumidoras diretas. Explica que a partir desses mecanismos, elas sabem o que querem e o quanto custa, aprendendo a economizar e administrar os ganhos. “Assim elas sempre arrumam dinheiro para comprar ou consumir serviços como cinema, seja economizando dinheiro do lanche escolar, ganhando no dia do aniversário ou negociando brinquedos com amigos”, diz.

Cofrinho
Aos 11 anos, Fillipe Galindo não ganha mesada, mas sabe que para sair ou comprar alguma coisa que deseja tem que juntar dinheiro. Ele e o irmão, Guilherme, 13, economizam moedas de R$ 0,50 e R$ 1 no cofrinho para comprar videogame que custa de R$ 1 mil a R$ 2 mil. “Mas quem coloca mais é minha mãe”, confessa. De acordo com Fillipe, dentro do “porquinho” já deve ter R$ 1 mil. Ressalta, porém, que o destino do dinheiro depois que quebrar o cofre ainda não é certo. “Se eu tiver enjoado de videogame, vou usar o dinheiro para viajar para Caldas Novas”, diz.

Explica que quando consegue juntar quantia suficiente, compra CDs de jogos. “Mas quando eu tenho só R$ 5 ou R$ 10, por exemplo, aí eu compro comida”, diz. Se o valor obtido é alto, como o ganhado no aniversário, em setembro, Fillipe prefere deixar o dinheiro sob controle da mãe. Mas se o dinheiro não dá para comprar o que deseja ou tem que comprar algo que não é do interesse, como roupa e calçado, então é a mãe que tem que desembolsar.

Nem mesmo quando falta dinheiro, a pequena Mauê Luísa Olmos, 7, pede o que quer comprar. Ela pega a quantia que precisa emprestada com o pai, mãe ou irmão. “Às vezes, ela enrola as dívidas com um ‘esqueci’, mas paga”, diz o pai, contador Ozéias Alves. Mas para não faltar dinheiro, Mauê juntou moedas em cofrinho. “Dei o dinheiro para meu irmão guardar no banco”, diz. Conseguiu poupar R$ 250 para comprar duas bonecas. “Mas eu só vou comprar depois do Natal”, ressalta. Além de brinquedos, Mauê conta que doces, lanches e livros são os principais produtos que gosta de comprar.

Ozéias diz que orienta a filha em relação ao dinheiro. Na hora das compras, conta que é ela quem escolhe o que quer, “mas sempre querendo saber se está dentro das condições.”

Educação supervisionada
É importante que, desde cedo, crianças aprendam o valor do dinheiro e como este pode ser usado e poupado de forma consciente. Psicólogo Rogério Gonçalves explica que quando educação financeira infantil é feita de maneira supervisionada, acompanhada pelos pais, a criança se torna adulto mais consciente de prioridades e responsabilidades. Ressalta que má orientação durante infância por parte dos pais pode criar nos filhos falsa impressão de que ganhar dinheiro é fácil, e gastá-lo mais ainda.

Dar mesada ao filho, conscientizando-lhe de que terá que administrá-la até o final do mês, é forma de instruir a criança financeiramente, explica o economista Aurélio Troncoso. Outra maneira é mostrar ao pequeno o poder e a importância da poupança. Primeiro passo é presentear a criança com cofrinho e ajudá-la a encher. “Quando for abrir, faça um ritual, contando junto com a criança, mostrando que de moeda em moeda faz-se um valor bem maior”, salienta.

Aurélio destaca que a pesquisa reflete percepção do mercado em relação ao potencial de consumo das crianças. “As empresas já perceberam isso e bombardeiam com ferramentas de marketing, direcionando propagandas a este público”, diz. A exemplo desta situação está a inclusão de pratos com temas infantis oferecidos por restaurante de Goiânia. Chefe-consultor, Fancesco Bruno explica que novos serviços foram criados no estabelecimento para atender clientes que vão ao restaurante principalmente aos domingos.

Fonte: Diário da Manhã – 30/11/08
Por Juliana dos Anjos – Editoria de Economia

Percebe-se no último parágrafo que o termo “marketing” foi usado no senso comum, considerando que serve para gerar lucros a qualquer custo. O marketing, quando bem utilizado, deve gerar benefícios de longo prazo ao seu público. A educação para o consumo, citada na reportagem, é um excelente caminho para evitar o consumismo e outros excessos.

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