Pepsi e Coca-Cola deixam de anunciar para menores de 12 anos

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A medida insere-se na luta contra a obesidade infantil e vai ser posta em prática, até ao final do ano, a todos os países onde as empresas estão presentes

As duas maiores multinacionais de refrigerantes do mundo, Coca-Cola e PepsiCo, vão deixar de anunciar a menores de 12 anos até ao final do ano, depois de terem assinado na quarta-feira o novo código de marketing do International Council of Beverages Association (ICBA). Esta ação de auto-regulação será comunicada a todos os países onde as marcas estão presentes, sendo que em jogo estão todas as ações publicitárias em televisão, rádio, imprensa, internet, mensagens escritas por celular e cinema.

Tiago Lima, diretor de relações externas da Coca-Cola Portugal, diz que a marca «reconhece o papel dos pais como educadores e decisores da educação dos filhos» e que por isso não irá fazer marketing direto a menores de 12 anos.

«Toda a comunicação e publicidade da Coca-Cola vai ser revista até ao final do ano, apesar de há já algum anos que estamos desinvestindo progressivamente neste target, o que se nota sobretudo em televisão», explica o responsável, não adiantando quando representa, em termos de investimento, este desinvestimento publicitário.

Em causa estão todos os refrigerantes as bebidas carbonatadas, cujos anúncios deixarão de ser exibidos a programas cuja audiência seja predominantemente menor que 12 anos. O que, no caso da Coca-Cola, e para além da marca homônima, vai ser expandido a bebidas como Fanta, Sprite ou Nestea.

«Qualquer programa cujo número de espectadores menores de 12 anos represente mais que 50% faz parte desta lista», explica Tiago Lima, que diz que também o marketing direto feito para este target no digital e na internet será posto de lado.

Para além da publicidade tradicional, também o product placement (merchandising) está em risco com esta esta medida, que se insere na luta global contra a obesidade infantil. Até ao final de 2009, por outro lado, o ICBA quer rever outras formas de marketing, como a política de patrocínios, presença nas escolas e promoções no ponto de venda.

«A nossa indústria reconheceu há bastante tempo o papel positivo que pode ter na promoção de estilos de vida mais saudáveis para consumidores de todas as idades, incluindo crianças, e esta política servirá apenas para fortalecer este papel», explicou Alain Beaumont, secretário-geral da União das Associações Europeias de Bebidas.

Isentos desta nova política de comunicação estão as águas, sucos e bebidas com base em lacticínios.

Fonte: Jornal Briefing (Portugal) – 23/05/08

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Quero observar que o termo “marketing” nesta reportagem foi usado com o sentido do senso comum, como sinônimo de publicidade ou comunicação promocional. Na realidade, marketing é o estudo do mercado e a definição de estratégias e ações relativas a produto, preço, distribuição e comunicação/vendas pessoais/relacionamento que levem a empresa a atingir seus objetivos de negócio (normalmente, lucro). Mesmo eliminando a publicidade dirigida diretamente a crianças, a Coca-Cola e a Pepsi ainda farão marketing.

-Arnaldo.

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