ONG luta contra a obesidade infantil

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Obesidade infantil: criança que não for tratada adequadamente levará o problema para a vida adulta. Exclusão social é tão preocupante quanto os danos à saúde e emocionais

O Instituto Movere de Ações Comunitárias atende crianças e jovens carentes que sofrem com este problema. No entanto, precisa de parceiros para ampliar o atendimento e colaborar para a diminuição da obesidade – uma epidemia mundial.

No início deste mês, uma notícia alarmou o mundo: a inglesa Nicola McKeown, de 35 anos, foi ameaçada de perder a guarda de seu filho de oito anos por causa do peso do menino: 89 quilos. O menino, Connor, tem dificuldades para se vestir, perde o ar e tem ânsia de vômito ao exercitar-se e falta à escola com freqüência motivado, principalmente, por ser alvo de chacotas.

Em 2004, o Instituto Movere de Ações Comunitárias foi criado com a missão de combater o problema que hoje aflige Connor: a obesidade infantil. A ONG, hoje também Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – teve seu foco social definido após estudos da pesquisadora Vera Lucia Perino Barbosa, autora do livro “Prevenção da Obesidade na Infância e Adolescência – Exercício Nutrição e Psicologia”. Vera se deparou com um dado interessante: “Estudos mostram que existe uma correlação paradoxal entre desnutrição e obesidade”, diz. “O compromisso do Instituto é transmitir os conceitos da atividade física regular e alimentação adequada para toda a população”.

O trabalho do Instituto, mais do que necessário, pode ser considerado urgente. Vera defende que a obesidade é uma epidemia mundial que precisa ser controlada. “Uma criança obesa, se não for tratada, será um adulto obeso. E a obesidade não traz danos apenas à saúde física. Ela afeta o ser humano em seu lado emocional, colocando-o literalmente numa situação de exclusão”.

Projeto escola: recursos próprios

No início de 2006, motivada pela missão do Instituto Movere, Vera replicou o projeto “Melhoria na qualidade de vida em crianças e adolescentes obesos de baixa renda” em uma escola pública da cidade de São Paulo – o EMEF Joaquim Nabuco.

O fato torna-se inusitado por uma razão especial: ele acontece sem nenhum tipo de patrocínio ou apoio governamental. “Somos uma das primeiras instituições a realizar uma intervenção desse nível em escola pública e temos como meta atingir, nos próximos anos, 44 escolas que já estão na nossa lista de espera.” diz a pesquisadora.

O projeto tem como meta implementar ações que tratem e, sobretudo, previnam a obesidade infantil e juvenil. Sem descuidar do bem estar dos alunos, são oferecidos um programa de exercícios físicos regulares, educação nutricional e acompanhamento de indicadores clínicos – como avaliações antropométricas, psicológicas, posturais, fonoaudiológicas, além de exames laboratoriais.

Leila Lopes, uma das coordenadoras da escola, se diz impressionada com o programa do Instituto Movere. “Quando viabilizamos a implantação em nossa escola entendemos que se tratava de um projeto audacioso e jamais visto em nenhuma instituição até então. A adesão ao programa foi imediata, tanto dos alunos como do corpo docente, que desenvolveu suas atividades em consonância com a metodologia que estava sendo aplicada”, diz a educadora.

Moverito e Moverita: mais força aos trabalhos da ONG

No trabalho de combate à obesidade infanto-juvenil, o Instituto Movere conta com dois poderosos aliados: as personagens Moverito e Moverita, primeiros bonecos brasileiros que vêm com a pirâmide alimentar impressa nas costas da roupinha e que visam arrecadar recursos para manter as obras da ONG.

A instituição busca parceiros para confeccionar 5 mil bonecos e bonecas. “Podem ser doadores de matéria-prima ou empresas que queiram encomendar os brindes”, explica Lílian Albano, gerente de Marketing do Instituto Movere.

As empresas que aderirem ao projeto terão benefícios fiscais, já que o Instituto Movere é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. A denominação, concedida pelo Ministério da Justiça, facilita parcerias e convênios com todos os níveis de governo, órgãos públicos e empresas privadas.

“Os padrinhos e patrocinadores terão, como principais benefícios, logotipo no cartão que acompanha o boneco, link no site www.institutomovere.org.br, release institucional no newsletter eletrônico da ONG, um casal de bonecos, banner em nosso site, Certificado de Doador e crédito em toda e qualquer ação relacionada ao Projeto Personagens”, comenta a gerente. A intenção do Instituto também é a de fazer parcerias com lojas de departamentos e vender os bonecos para pessoas físicas, em sua sede.

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