Mercado infantil movimenta R$ 50 bilhões por ano

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Um estudo da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo mostra que o mercado infantil cresce em ritmo acelerado no Brasil: 14% ao ano – ou o dobro do verificado nos segmentos voltados para adultos. Hoje, as crianças movimentam cerca de R$ 50 bilhões por ano no país. “Os pais nunca gastaram tanto com o consumo dos filhos como agora”, constata Luiz Slongo, professor de Administração da PUC no Rio Grande do Sul e especialista em marketing.

Isso acontece por dois motivos. O primeiro é que os meninos e as meninas estão muito mais antenados ao mundo das compras. Uma pesquisa realizada em 2003 pela consultoria MultiFocus mostrou que 99% delas assistem à televisão, 87% ouvem rádio e 34% usam a internet com freqüência. “Atualmente, as crianças são atingidas em cheio pela publicidade e, por isso, ficam mais exigentes nas compras”, explica Luiz Alberto Marinho, diretor da agência Publicom, de São Paulo. O outro fator que reforça o apetite de consumo dos pequenos é a falta de tempo dos pais. Mergulhados em trabalho, eles procuram compensar a pouca atenção dada aos filhos com… presentes. Hoje, quem tem condições não pensa duas vezes antes de comprar um brinquedo ou roupinha infantil – o que, aliás, confere aos filhos um alto poder de barganha.

Mas conquistar a confiança do consumidor infantil não é tarefa fácil. Parte das companhias enfrenta enormes dificuldades ao tentar desenvolver um produto que caia no gosto da garotada. “O grande desafio das empresas interessadas no mercado infantil é aprender a pensar como criança”, explica o publicitário Martin Haag, diretor de planejamento da agência Escala, de Porto Alegre. Ele conta que, muitas vezes, os executivos tomam sua própria infância como referência para entender o perfil de consumo dos “miniclientes”. Assim, acabam lançando brinquedos ou roupas obsoletos, que já não correspondem ao gosto das gerações mais novas. Outro erro das empresas é tentar aplicar no público infantil as mesmas técnicas promocionais que funcionam com os adultos. Há uma vasta diferença entre ambas. Não há como fazer pesquisas de opinião com crianças, por exemplo. Tampouco se pode esperar que elas se interessem por um produto simplesmente devido a uma promoção ou a um desconto no preço. Ao contrário: no mercado infantil, o que faz a diferença é o “amor à primeira vista” – ou aquela incrível capacidade que algumas marcas têm de fazer as crianças espernearem por uma compra.

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