Ícones infantis dos anos 80 invadem as prateleiras

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Personagens como “Moranguinho”, “Meu Pequeno Poney”, “Ursinhos Carinhosos” e “Chaves” – que entraram para a história dos anos 1980 como verdadeiros clássicos – caem no gosto das crianças atuais e geram negócios.

Ajudados por desenhos animados exibidos na televisão e por uma onda de nostalgia, os personagens dos anos 80 caem novamente no gosto do público e puxam para cima os negócios do mercado de licenciamento. As vendas no varejo de “Moranguinho”, por exemplo, cresceram perto de 60% em 2006, na comparação com o ano anterior. Estima-se que a garotinha ruiva e sardenta tenha movimentado R$ 70 milhões no período. Para o mexicano “Chaves”, a expectativa é quadrupli-car o número de contratos de licenças, justamente em função dos resultados positivos obtidos com a nova versão animada do menino órfão.

“Existe uma nostalgia por parte do consumidor. Os valores desses personagens são mais puros, não há violência. ‘Chaves’, por exemplo, é um pastelão. Já a ‘Moranguinho’ é romântica”, comenta o diretor da Redibra, David Diesendruck, empresa que representa as propriedades da Televisa no Brasil. O executivo explica que a empresa começou a trabalhar o licenciamento de “Chaves” no ano passado tendo em vista o investi-mento da Televisa na versão animada do seriado mexicano. “Foi uma decisão estratégica da Televisa para atrair o público infantil”, diz o diretor.

A primeira etapa envolve 52 episódios de meia hora, atualmente exibidos pelo SBT. “Estamos entusiasmados. No ano passado, mesmo sem o desenho, fechamos contratos com fabricantes de chicletes, de figurinhas e com a área têxtil. A propriedade tem potencial. “Chaves”, é um personagem clássico, com apelo popular e que tem ‘recall’”, avalia Diesendruck.

Hoje, a Redibra possui seis contratos fechados para “Chaves”, mas a expectativa é chegar a 25 já em 2007. “Se a série continuar com sua performance positiva, este é um número factível”, diz o executivo. Existem cerca de 50 itens com a marca nas prateleiras nacionais.

Durante o mês janeiro, quando ocorreu a estréia do seriado em versão animada no SBT, a audiência chegou a 9 pontos, com picos de 13 pontos, segundo dados do Ibope na cidade de São Paulo. Na esteira do desempenho, a Gulliver lança uma linha com 11 bonecos diferentes inspirados nos personagens da série. Segundo a companhia, serão cerca de 90 mil peças, que devem render à empresa um faturamento de R$ 900 mil.

Para a gerente de marketing da Exim Character, Sandra Zanini, a volta de personagens que foram ícones nos anos 80 segue uma tendência internacional. “Trata-se de uma espécie de ‘revival’. Alguns dos personagens, entretanto, retornam com novo design, mais modernos, mas sem perder as características do anterior”, afirma a executiva. Este é o caso de “Moranguinho”, que desde novembro mudou seu visual, está mais velha, com cabelos compridos e novas roupas. A idéia é acompanhar o crescimento de seu target. A personagem clássica dos anos 80, porém, também permanece, especialmente para linhas com apelo vintage para os adultos.

A menina ruiva, aliás, é um dos principais negócios da Exim no Brasil ao lado de “Bob Esponja”. Atualmente, a empresa tem 45 contratos fechados, com produtos que vão de goma de mascar a computadores. A boneca, ícone da década de 80, foi relançada em 2004, o que estimulou o retorno do personagem. “No começo, a lembrança por parte das mães era muito grande. As mulheres na faixa dos 30 anos apresentaram ‘Moranguinho’ a suas filhas”, comenta Sandra Zanini.

No ano passado, o SBT também exibiu uma animação de “Moranguinho”. “Para 2007 estamos em negociação, mas não forçamos nada porque a propriedade já anda sozinha, não precisa da TV”, diz a gerente. Hoje, a personagem tem cinco DVD à venda no Brasil e pode ter um longa-metragem exibido no País.

Paralelamente à “Moranguinho”, a Exim licencia outros ícones da década de 80 como “Meu Pequeno Poney” e “Ursinhos Carinhosos”. Juntas, as duas propriedades têm 18 contratos, mas a resposta dos consumidores é menor. “No caso de “Meu Pequeno Poney” as licenças estão sendo fechadas de forma homeopática. Falta conhecimento no País”, avalia a executiva. Sandra acrescenta que “Ursinhos Carinhos” tem mais procura, porém com menos intensidade que “Moranguinho”. “Eles voltaram com novo design, mais modernos. Além disso, existe a lembrança da mãe”, comenta. Nos Estados Unidos, os personagens são trabalhados para três públicos: bebês, infantil e adulto. Por aqui, até a boneca Susi (Estrela), outro clássico, vem com a roupa dos “Ursinhos Carinhos”.

Fonte: Gazeta Mercantil

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