Especialistas condenam publicidade infantil sobre “junk food”

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Proibir a publicidade de “junk food” (comida rica em calorias de baixo valor nutritivo) voltada para crianças é a nova bandeira dos especialistas em obesidade de todo o mundo, reunidos na capital australiana para declarar guerra à gordura.

A crescente epidemia de obesidade está na origem de muitas doenças infantis e a Organização Mundial da Saúde (OMS) deveria dar o exemplo e proteger as crianças de técnicas de marketing que as exploram, defende o Grupo contra a Obesidade Internacional, um centro público de análise.

“Ninguém pode negar que existe um laço entre o markerting de comida e as crianças que engordam”, disse o porta-voz do grupo, Gerard Hastings, da Universidade Stirling da Escócia, durante entrevista coletiva à margem do Congresso Internacional sobre Obesidade, que se celebra em Sydney.

Para deter a epidemia é necessário adotar ações formais e um código internacional vinculante que dê diretrizes claras à indústria e aos governos, destacou o Grupo.

“Prevenir a obesidade infantil é a melhor maneira de fazê-lo”, disse seu diretor, Neville Rigby, após destacar que cada vez mais crianças sofrem de diabetes tipo II, uma condição que antes era mais comum em gente mais velha com excesso de peso.

Segundo a OMS, mais de um bilhão de pessoas – quase uma em cada seis da população mundial – estão com excesso de peso, enquanto 800 milhões estão desnutridos.

A publicidade sobre alimentos sobrecarregados de energia como bebidas cola e guloseimas arrasta crianças a ter dietas prejudiciais para a saúde, disse Hastings.

Na União Européia há cinco milhões de crianças obesas e 25 mil delas têm diabetes tipo II, advertiu o Grupo contra a Obesidade Internacional, braço político da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade.

O acadêmico australiano Boyd Swinburn disse que o projeto elaborado pelo centro de análise visa a partilhar o problema de uma perspectiva de proteção infantil, utilizando a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças.

O projeto das diretrizes enfatiza os direitos da criança a uma alimentação adequada, segura e nutritiva, lembrou Swinburn.

Ele também sustentou que é vital regular novas mídias como internet e a TV via satélite e estabelecer escolas “livres de publicidade”.

A OMS já tem ordem para lutar contra a obesidade infantil através de sua Estratégia Global de Dieta, Atividade Física e Saúde, assinada pelos países-membros em 2004, disse Rigby.

O Grupo contra a Obesidade Internacional convidará a OMS a estabelecer as diretrizes na reunião de seu diretório executivo, em janeiro de 2007, com a meta de levar o tema para sua próxima assembléia mundial, em maio.

A conferência sobre obesidade, que se celebra a cada quatro anos, atraiu desta vez mais de dois mil acadêmicos e profissionais da saúde de todo o mundo.

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