A educação do consumidor

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A educação do consumidor na escola, depois de um longo período de discussões, parece estar ganhando coerência nas políticas públicas, nas exigências dos formadores e nas próprias preocupações dos encarregados de educação. Mesmo que já seja possível intervir na educação para o consumo, está longe de ser fácil, dado o caráter de transversalidade desta temática, ao lado da educação ambiental, da educação para a saúde, prevenção rodoviária, educação alimentar, entre outras.

Começa a ganhar consistência a idéia da organização de uma formação transdisciplinar permanente voltada para a cidadania. A cidadania é a área destinada a preparar consumidores responsáveis. Estes consumidores responsáveis iriam desenvolver-se na vertente do consumo “aprendendo a conhecer”, “vivendo com os outros”, “realizando-se” e “apreciando a solidariedade”. Podiam aprender a identificar os mercados de consumo, reconhecer a importância da segurança alimentar e identificar os perigos da alimentação barata, tomar decisões de consumo com base na simplicidade e na reutilização, saber reclamar e denunciar práticas comerciais agressivas, ponderar conteúdos, contratos e a segurança dos bens de consumo, não tolerar a prepotência de empresas poderosas e medir com mais critério o uso do crédito num mundo onde é cada vez maior o risco do endividamento asfixiante.

Neste acepção de aprendizagem para a cidadania o vértice educativo passaria pela responsabilidade do consumidor, ou seja, aprender a responder pelas consequências ambientais e sociais nas opções de consumo, correlacionando o consumo responsável com o desenvolvimento sustentável estando atento ao consumo ético, aos direitos sociais dos trabalhadores e ao combate ao trabalho infantil por exemplo.

A educação do consumidor é hoje acessível a qualquer formador. Na Europa uma rede de educação do consumidor produziu um manual básico intitulado “A Educação do Consumidor na Aula” (este manual está editado em português e qualquer formador interessado pela temática encontra-o no site http://www.e-cons.net). A par disto, o Ministério da Educação português, em colaboração com o Instituto do Consumidor, está preparando para o próximo ano letivo materiais pedagógicos sobre a forma de guia para a educação do consumidor. Vale dizer que os formadores interessados poderão ter acesso a outros materiais (ver condições no site http://www.consumidor.pt).

Os jovens, enquanto consumidores, têm um verdadeiro peso econômico e atuam entre a vulnerabilidade e a procura da responsabilidade. Cabe aos formadores pressionar para que haja uma efetiva educação para o consumo em prol de uma cidadania que desenvolva a responsabilidade em articulação com o desenvolvimento sustentável. Esses formadores têm agora oportunidade de intervir de uma maneira persistente na educação dos jovens consumidores, capazes de intervir conscientemente, por via do próprio consumo, no desenvolvimento.

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