A diversão para as crianças modernas

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Seis meses depois de abrir uma livraria, em São Vicente, litoral de São Paulo, a empresária Luciana Papale estava desanimada. O negócio ia mal. “Cheguei a pensar seriamente em fechar, pois percebi que o meu sonho, que era a livraria, não estava dando certo”, recorda.

A empresária descobriu no mercado infantil a saída para a crise. Ela montou um espaço só para as crianças brincarem. Com isso, atraiu os pais delas, que viraram clientes e impulsionaram as vendas. As crianças fazem fila para entrar na atração que virou destaque: uma grande árvore, onde elas podem ler, desenhar e soltar a imaginação.

No espaço, a empresária também montou uma lan house para crianças. Ela instalou cinco computadores e a garotada se diverte com joguinhos infantis. “É como se fosse um joguinho de guerra. Eu escolho um tanque e começo a jogar”, explica Matheus, de dez anos.

De acordo com a empresária, hoje em dia, o computador faz parte do imaginário infantil. “Eles têm a brincadeira lúdica, mas querem os jogos, querem falar com quem tem MSN, Orkut. Então, os jogos em rede fazem parte do imaginário da criança”, comenta.

O espaço para crianças tem 15 metros quadrados. O investimento em computadores e na árvore foi de R$ 25 mil. O retorno veio rápido e as vendas na livraria aumentaram 60%. “Enquanto o meu filho fica brincando, pintando, tenho tempo para dar uma olhadinha no arsenal e comprar os livros que me interessam”, diz o cliente Maurício da Silva.

A empresária descobriu que poderia ganhar mais dinheiro com o espaço infantil e começou a cobrar entrada de R$ 3,50 por hora. O novo negócio ultrapassou a livraria e hoje representa 60% do faturamento da empresa. Os pais deixam as crianças com as monitoras e aproveitam o tempo para ler em um espaço criado em frente à loja.

“Deixo aqui, posso sair, fazer compras, ir ao banco, que eles cuidam muito bem das crianças e fico tranqüila”, elogia a cliente Dalva dos Santos. A empresária recebe 200 crianças por mês e mal dá conta da demanda.

“Os planos são de aumentar o espaço, porque tem semana que a gente não dá conta. E a criança não entende o motivo e vai embora triste”, justifica Luciana.

PARQUE DE FUTEBOL

O lazer para crianças também chamou a atenção de um canadense, que mora há 12 anos no Brasil. Darryl Kirsh percebeu que existia um mercado mal explorado pelo brasileiro. Ele uniu a paixão nacional com o negócio e montou um parque de futebol para crianças de 5 a 12 anos.

“Eu cheguei aqui todo mundo ama futebol, todo mundo torce por um time, mas não existia lazer relacionado a futebol”, lembra Darryl.

A criançada joga bola o tempo todo: na cama elástica, com a corda amarrada no poste, no golzinho de rua, no futegolfe e até no futebol no escuro.Em cada canto tem gente chutando, defendendo, controlando bola.

“Esta é a festa mais legal que eu já vi, porque tem bastante coisa para fazer”, comemora Enrico, de dez anos. A molecada vibra a cada instante.

“A garotada só pensa em futebol e aqui é um lugar perfeito. É perto para todo mundo, já tínhamos vindo aqui uma vez e a escolha foi unânime”, comenta o pai de Enrico, Roberto Delome.

O empresário reformou um galpão e recriou o ambiente do futebol de rua. Placas indicativas, umidificadores para manter a umidade do ar e colagens nas paredes fazem o cenário onde a bola é a grande estrela.

“Há 30 anos, todo mundo jogava na rua. Hoje, com assaltos, com o trânsito, não dá para fazer isso. Então, esse espaço foi montado para as crianças brincarem como se estivessem na rua mesmo, só que com toda segurança e conforto de um lugar fechado e controlado”, explica Darryl.
O empresário usa equipamentos para dar mais emoção ao lugar, como uma máquina de lançar bola e um medidor de velocidade de chute. Ainda este ano, o empresário pretende lançar a franquia do negócio. Para montar um espaço como o dele, o investimento é de R$ 300 mil. O dinheiro é para taxa de franquia, reforma do imóvel, instalação dos equipamentos e capital de giro.

A empresa cobra, por dia, R$ 37,50 de cada pessoa, com direito a lanche. O empresário realiza festas a partir de dez convidados. Segundo ele, essa é uma estratégia para abocanhar um espaço pouco explorado pelos bufês tradicionais.

“Como temos um local grande, de 1,5 mil metros quadrados, com bastante espaço para brincar, a gente consegue realizar festas menores agrupando esses eventos no mesmo horário. Ou seja, em um dia mesmo, podemos fazer três festas, com 20 a 30 crianças cada”, conta Darryl.

A empresa realiza 500 festas por mês, para um total de duas mil crianças. Elas correm e pulam o tempo inteiro. No final da festa, o aniversariante ainda participa de uma coletiva de imprensa com os convidados.

Depois, os parabéns e o bolo, que ninguém é de ferro.

Fonte: PEGN

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