Crianças gordas já são o dobro das desnutridas

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Esta notícia é mais um alerta que mostra às empresas que trabalham com alimentos infantis que elas devem atuar de forma sensata e ética, buscando resultados que se sustentem a longo prazo, isto é, evitando o excesso de consumo por parte de seu público e conscientizando-o para hábitos saudáveis.

Não acho correto responsabilizar o marketing de alimentos infantis pela obesidade. Os fabricantes de alimentos sempre buscarão melhores resultados em vendas e rentabilidade, mas devem fazê-lo com responsabilidade.

– Arnaldo.

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A epidemia global de obesidade infantil chegou a níveis catastróficos. Segundo pesquisadores, o número de crianças gordas no mundo já é o dobro do de desnutridas. São 350 milhões acima do peso ou obesas, o que corresponde a 10% da população mundial nessa faixa etária. “Estamos diante de uma crise global”, disse Philip James, pesquisador britânico líder da International Obesity Task Force e um dos maiores especialistas do mundo no assunto.

Trata-se de uma epidemia disseminada pela cultura do fast-food e do sedentarismo que, para os especialistas, precisa ser combatida com ações tanto educativas quanto regulatórias. Não basta esperar que as pessoas emagreçam sozinhas, por preocupações estéticas ou mesmo de saúde, alertou James.

Estudos demonstram que, por razões ainda não compreendidas, o cérebro de obesos interpreta o excesso de gordura como algo a ser preservado. Ou seja: o cérebro de uma pessoa gorda “faz força” para que ela permaneça gorda, por meio de estímulos nervosos e hormonais.

“Uma vez que você entra na obesidade, é muito difícil sair. É preciso lutar contra o próprio cérebro”, disse James após um debate sobre o tema na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Boston. Obesos são mais suscetíveis a doenças como diabete, hipertensão e colesterol alto.

Para a pesquisadora Christina Economos, da Universidade Tufts, a solução precisa ser trabalhada em múltiplos ambientes para incentivar mudanças comportamentais desde o quarto da criança até o refeitório da escola. Uma receita básica: menos televisão, menos internet, mais brincadeiras, mais verduras e menos batatas fritas.

“Nós excluímos o exercício das nossas vidas, e isso pode ser até mais prejudicial do que a quantidade de calorias que ingerimos”, disse Christina. Segundo ela, não se trata só de praticar esportes ou freqüentar a academia, mas preservar hábitos simples, como caminhar até a escola ou brincar na rua com os amigos.

Do ponto de vista regulatório, segundo James, é preciso uma atitude equivalente à adotada com cigarros e bebidas: “restringir o marketing, aumentar o preço e reduzir a disponibilidade (das chamadas junk foods)”.

James lamentou o fato de as políticas brasileiras voltarem-se quase que exclusivamente para o combate à fome, quando as estatísticas mostram que a obesidade é tão prejudicial quanto a desnutrição. Segundo dados de 2004 do IBGE, há no País dez vezes mais pessoas acima do peso do que abaixo (na população acima de 20 anos).

Fonte: O Estado de S. Paulo – 19/02/08

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