Crianças brincam menos e ficam dependentes dos adultos e da tecnologia

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Falta de tempo dos pais para o lazer e apelos de consumo levam ao abandono do tempo livre e das brincadeiras criativas

Rodeadas de tecnologia e pais sem tempo para lazer, uma geração de crianças hoje cresce sem saber brincar, perdendo parte importante de sua formação. A opinião é da educadora e antropóloga Adriana Friedmann, uma das fundadoras da Aliança pela Infância, movimento que pretende levantar a discussão sobre a importância do brincar no cotidiano infantil. Para ela, apenas com o aumento das pesquisas científicas que mostrem efetivamente o efeito das brincadeiras no desenvolvimento das crianças será possível conscientizar uma parcela maior da sociedade.

O que você acha das iniciativas para resgatar as brincadeiras na infância?

Hoje há um grande movimento do brincar, que começou nos anos 1980 com pesquisas, publicações e implementação de brinquedotecas. O brincar foi parar nas leis e inúmeros educadores, pesquisadores, organizações e campanhas vêm adquirindo grande forca no resgate do brincar na vida das crianças. Porém, o desafio é grande pois agimos contra a corrente tecnológica e de incentivo ao consumo que toma o cotidiano das crianças. É por esse motivo que pesquisas têm sido tão importantes para mostrar o quanto o brincar é fundamental no desenvolvimento das crianças.

Por que a necessidade de criar um movimento para resgatar as brincadeira? As crianças hoje brincam menos?

As crianças hoje brincam cada vez menos, pois ficaram dependentes dos brinquedos e produtos tecnológicos que o mercado oferece e que os pais têm comprado, motivados mais pelo marketing que pela consciência de que esses produtos são adequados. Raramente vemos hoje pais e mães brincando com seus filhos. A vida corrida, falta de tempo de lazer e a invasão de smartphones, videogames e computadores estão transformando drasticamente os vínculos familiares e o tempo de lazer. Nas escolas, o tempo do recreio, o tempo livre sem atividades, está ficando cada vez menor ou mais direcionado. As crianças estão dependentes do direcionamento dos adultos e muitos afirmam que elas não sabem mais brincar.

Quais as consequências disso?

Há um perigo latente na geração que cresce sem ter brincado, pintado, dançado, criado. São crianças que estão pulando fases essenciais no seu desenvolvimento, fases que acabam sendo vivenciadas tardiamente na adolescência e na idade adulta. Os papéis dentro da família têm se invertido e muitas vezes crianças se tornam adultos precoces e os adultos continuam sendo crianças na meia idade, tanto do ponto de vista emocional, quanto no que se refere à adequação de interesses. Há uma grande crise de valores que já tem quase duas décadas e é urgente reencontrarmos possibilidades de reequilibrar essa situação na sociedade, tanto no que diz respeito às propostas voltadas para as crianças, quanto na orientação de educadores, cuidadores e pais, desde os bebês até o trabalho que deve ser realizado com adolescentes e adultos.

Fonte: O Estado de São Paulo – 17/01/2011

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Obs.:
A matéria é interessante, mas discordo da responsabilidade atribuída ao marketing pelo fato das crianças estarem brincando menos (destaques em azul acima). O motivo é a falta de tempo dos pais e a forma como eles decidiram criar seus filhos. O marketing pode até ser usado para estimular brincadeiras saudáveis, como foi feito na campanha do OMO (que usa o slogan “Porque se sujar faz bem”). As ferramentas do marketing também podem ser usadas para conscientizar os pais sobre a importância da brincadeira. Outro ponto que costuma ter uma associação negativa – e inadequada – é o consumo. Estamos em uma sociedade capitalista, onde boa parte das necessidades materiais são atendidas através do consumo. O que é condenável é o excesso, como em qualquer área.

– Arnaldo.

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