A cidade dos biscoitos

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São Tiago, cidade que fica a 215 quilômetros de Belo Horizonte, oferece uma enorme variedade de biscoitos, desde os de polvilho aos mais sofisticados, cobertos de chocolate, trançados ou recheados com goiabada.

No século 18, a cidade era ponto de parada de viajantes, que seguiam a caminho do sertão. No local os visitantes tomavam café com biscoitos, todos produzidos pelas quitandeiras da região. A tradição de fazer biscoitos continua até hoje na cidade, que ficou conhecida como a “terra do café com biscoito”.

Atualmente, São Tiago tem quase 40 fábricas, que produzem mais de 40 variedades de biscoitos doces e salgados. O pico da produção ocorre entre julho e agosto e atinge 15 mil toneladas. A importância dos biscoitos para a economia local fez com que a Associação dos Fabricantes e outras entidades do município e do estado se associassem com o Sebrae. Em 2004, com a parceria, foi implantado o “Projeto de Alimentos Artesanais de São Tiago”.

“Eles queriam ter acesso a novos mercados, pois precisavam expandir. Mas, era preciso fazer um trabalho de base mesmo, de estruturação das próprias fábricas, da gestão do próprio negócio, de adequar os processos às boas práticas de fabricação de alimentos”, explica Maurício Teixeira, consultor do Sebrae.

Com a parceria, no primeiro ano, o volume de biscoito produzido na cidade dobrou. Nas 24 fábricas da associação são gerados 400 empregos diretos. A empresa de Adilson José Campos começou há dois anos. Ele, a mulher e um sócio saíram dos empregos e montaram uma pequena fábrica. Hoje, a empresa tem 12 funcionários e produz mensalmente quase três toneladas de biscoitos, de 25 variedades. Com o apoio do Sebrae, Adilson melhorou as instalações da fábrica e viu a produção crescer de 2,3 mil pacotes, em dezembro de 2005, para 8,4 mil pacotes nove meses depois.

“Todo mundo trabalha dentro das práticas de produção, através do PAS, programa implantado pelo Sebrae. E procuramos melhorar cada vez mais”, conta Adilson. Os funcionários também foram treinados e capacitados para os novos desafios da empresa. “Tem que lavar as mãos e não se pode usar brinco, pulseira, colar, essas coisas. Depois que a gente teve a ajuda do Sebrae, que eles explicaram, entendemos o que não devemos fazer”, revela a funcionária Dirleia Almeida.

A maior parte da produção é vendida de porta em porta nas cidades vizinhas. Romualdo Caputo vende os biscoitos de Adilson. Toda semana ele compra 50 pacotes. “Melhorou muito a qualidade dele, o sabor, a embalagem, tudo melhorou”, justifica Romualdo sobre o motivo de ter escolhido a fábrica de Adilson. Mas tem gente que compra diretamente, na própria fábrica.

De acordo com Alexandre Machado Chaves, membro da Associação de Biscoitos, as informações impulsionaram o profissionalismo na produção. “O momento da busca de informação para a melhoria dos nossos processos resultou em um profissionalismo muito maior das empresas de biscoito e uma alavancada muito grande para todos”, comemora.

fonte: PEGN

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