Brinquedo controlado pela força do pensamento vira realidade

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Interface entre cérebro e computador começa a chegar ao mercado

Você coloca o dispositivo sem fio na sua cabeça. Ele se parece com um
daqueles que os atendentes de telemarketing usam, mas o que seriam
fones são, na verdade, sensores, e o que parece um microfone é um
detector de ondas cerebrais. Você coloca o detector em sua testa, acima
da sobrancelha esquerda.

À sua frente está uma bola de
pingue-pongue num cano transparente, chamado Force Trainer. A ideia é
usar somente seus pensamentos, que são lidos pelo aparelho na sua
testa, para levantar a bola. A atividade elétrica do seu cérebro é
traduzida para um sinal enviado ao pequeno computador que controla um
ventilador que assopra a bola para cima no tubo. Ela levita, como se
fosse mágica. É a mente controlando a matéria.

A Mattel e a
Uncle Milton Industries vão lançar, no segundo semestre, brinquedos
controlados pela força do pensamento. Eles serão os primeiros
equipamentos com interface cérebro-computador a chegar ao mercado de
consumo. São brinquedos, mas muito mais. Eles personificam um sonho de
várias eras: controlar o mundo com a mente. Telecinese, o poder dos
deuses.

O que todo mundo pergunta sobre esses brinquedos é se
eles são truques de salão ou se são de verdade. Mesmo Geoff Walker,
vice-presidente sênior da Mattel, reconhece que os consumidores “gastam
os primeiros 20 minutos admirados de que isso realmente funciona”.

Uma
evidência a favor de que eles funcionam de verdade é que algumas
pessoas são piores que outras quando tentam controlá-los – o que
certamente não é um bom argumento de marketing. Advogados e outras
pessoas que costumam realizar várias tarefas ao mesmo tempo, por
exemplo, tendem a ter dificuldade em focar suas ondas cerebrais, afirma
Johnny Liu, da NeuroSky, o criador do equipamento com os sensores. Mas
existem aqueles que conseguem assumir o controle do brinquedo
instantaneamente e sem esforço.

Apesar de estar chegando ao
mercado em forma de brinquedo, a ideia de telecinese é coisa séria,
pelo menos para muitos cientistas. Há nove anos, a equipe de Miguel
Nicolelis, da Duke University, criou a primeira macaca telecinética.
Belle, uma pequena macaca-da-noite, foi a primeira criatura a controlar
objetos tangíveis, a longa distância, com a mente.

Com um
equipamento do tamanho de uma aspirina ligado ao seu córtex motor, a
parte do cérebro que controla os movimentos dos músculos, Belle
conseguiu controlar um braço robótico no MIT, a mil quilômetros de
distância, que dançou “coreografado pelos impulsos elétricos da mente
de Belle”, escreveram os pesquisadores.

Essa é uma área que está
avançando rapidamente. Quatro pessoas com alto grau de paralisia, com
um implante “BrainGate” criado pela empresa de biotecnologia
Cyberkinetics, foram capazes, somente com seus pensamentos, de
verificar e enviar e-mails, ligar e desligar televisores, luzes e
eletrodomésticos, e controlar uma cadeira de rodas. Macacos equipados
com braços artificiais controlados pelo cérebro aprenderam como levar
comida à boca. Um macaco no laboratório de Nicolelis recentemente
controlou um robô humanoide no Japão.

A NeuroSky lidera o
processo de transformar interfaces cérebro-computador em itens baratos
de consumo. Seus equipamentos e software de leitura do cérebro estão
sendo vendidos para uso em vários brinquedos, incluindo os competidores
Mindflex, da Mattel, que custará US$ 80 nos Estados Unidos, e Force
Trainer, da Uncle Milton, de US$ 130. Os dois têm objetivos parecidos:
fazer levitar uma bola em um tubo.

“Os sensores de hoje são de
primeira geração”, afirma Stanley Yang, diretor executivo da NeuroSky.
“Você precisa usá-los no seu corpo. A segunda geração poderá ler suas
ondas cerebrais e outros sinais biológicos a distância.” Ainda este
ano, um dos parceiros da NeuroSky deve lançar um produto que voa,
controlado pela força do pensamento.

Fonte: O Estado de S. Paulo – 25/04/09

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