Bonecas de verdade

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(por Maria Alice Rocha)

O lançamento do filme Bratz, prometido para o próximo fim de semana nas grandes telas do Reino Unido, trouxe à tona uma discussão que envolve moda: é exponencial o crescimento do interesse das pré-adoslecentes em usar o que há de mais transado nas tendências de moda.
Para aqueles que não convivem com meninas de 6 a 12 anos, as bonecas Bratz, lançadas em 2001 na Califórnia, têm desbancado a tradicional Barbie, da gigante Mattel, como o “mais desejado objeto de desejo” nas lojas e casas européias.

Na verdade, o que faz das bonecas Bratz um sucesso é a diversidade de etnias e um amplo espectro de como você poderá ser quando crescer. Cloe, Jade, Sasha e Yasmin são meninas com misturas caucasianas, africanas e asiáticas.

Diferentemente da Barbie que comunica um corpo perfeito e uma potencial vida perfeita, as Bratz têm cabecas e pés desproporcionais ao tamanho do corpo. O que só faz aumentar a sua aceitação numa faixa etária que ainda não tem corpo formado. Coincidentemente, essa desprorpoção das bonecas lembram perfeitamente os croquis desenhados por estilistas renomados.

Como parte da concepção das bonecas, o que conta mais para os personagens é a personalidade. E isso elas têm de sobra. As meninas, seguindo a onda, tambem já decidem e exigem que as suas opções sejam respeitadas.

Não é à toa que a equipe da MGA Entertainment, criadora do brinquedo, pesquise moda como qualquer grande empresa do ramo de vestuário, calçados ou acessórios. Mais do que isso, a empresa também pesquisa o comportamento das crianças e dos seus pais. Além das bonecas, há uma infinidade de produtos licenciados e jogos online que permitem – ou mesmo estimulam – uma total “customização” do visual da boneca.

Por tudo isso, já não é raro ver meninas pré-adolescentes terem hora no salão de beleza para tingir e tratar cabelos, fazer unhas, maquiagem ou depilação. Da mesma forma, as doces roupas cor de rosa para meninas, tão tradicionais na cultura britânica, estão sendo substituídas por cores berrantes, estampas chamativas e formas mais ajustadas.

Alguns grupos de proteção à criança têm advertido aos pais e à sociedade que o comportamento das meninas que imitam as bonequinhas Bratz pode incitar a pedofilia. As meninas, devido à idade, não têm idéia da sexualização que seus corpos podem promover aos olhos de um adulto.

Mas a polêmica e as causas parecem ser maiores e mais complexas que uma marca de brinquedos. É certo que a dinamicidade do século 21 trouxe muitas mudanças e o marketing credita o fenômeno à compressão da idade, ou KGOY, que em inglês significa algo como “crianças envelhecendo mais jovens” (kids growing older younger).

Desde as Spice Girls dos anos 90 as meninas idolatram celebridades ao invés de personagens infantis. Alguns acusam Beyoncé, Christina Aguilera e Britney Spears de fazerem um grande estrago na cabeça das pré-adolescentes.

Quanto ao filme Bratz, anunciado para estréia no Brasil em outubro proximo, há pontos positivos a serem colocados. A produtora optou por não convidar atrizes famosas para serem as personagens, e fez um concurso nos Estados Unidos entre profissionais iniciantes para a escolha do elenco principal, numa clara preocupacao com a imagem das bonecas na “vida real”.

No enredo do filme, as quatro amigas lutam contra a discriminação racial e social na própria escola que freqüentam. Apesar de não ter estourado nas bilheterias norte-americanas na semana passada, este promete ser o programa preferido de 10 entre 10 garotas para o final das férias de verão.

Para os adultos e interessados em moda “infantil”, o filme, mesmo sendo água com açúcar, parece não desapontar na originalidade das meninas e nas suas produções de visual.

fonte: Terra Magazine

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