‘Baixinhos’ opinam nas compras da casa

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Eles já sabem o que querem, têm opinião própria e negociam com os pais na hora de comprar.

Os pais querem oferecer aos filhos um padrão de vida melhor ou dar à criança o direito da última palavra. Lojistas confirmam esta tendência e o comércio varejista focado no segmento infantil ganha força.

Segundo revela a gerente da loja Gente Miúda, Osana Ramos, o gasto médio de cada visitante acompanhado de garotas fica em torno de R$ 60. Os meninos exigem menos. Cerca de R$ 30 são gastos para uma compra de vestuário básico para eles. “Meninas em geral escolhem roupas sociais e os garotos as esportivas e sempre é o gosto deles a prevalecer, não importa a classe social”, conta Osana.

Houve ainda uma mudança no vestuário feminino. Antes a preferência por roupas justas era mais acentuada, porém um fator inusitado está influenciando na escolha da vestimenta: a religião. “As crianças evangélicas ou mesmo os pais destas optam por vestidos seja de qual tecido forem feitos, além disso, a mídia constantemente mostra filhas de artistas usando vários modelos e as novelas voltadas ao público infantil, por exemplo, Florisbela intensificam a moda”, conta.

Proprietária de confecção diz de quem é a “última palavra”
Especializada em roupas e calçados para este exigente público, a Baby Shopping, também confirma a tendência das crianças darem a palavra final a respeito do que levam para casa. Roupas em geral são as mercadorias de maior saída e as meninas, como de costume, destacam-se como as grandes consumidoras. “Geralmente, a média de gastos com as garotas fica em torno de R$ 80 a R$ 100 e os meninos R$ 50, incluindo nestes valores os acessórios”, calcula a proprietária Nichiko Mendes e completa: “a vaidade não é mais característica exclusiva do sexo feminino, os garotos de hoje gostam de andar na moda e não escondem isso”.

Conforme Nichiko, 90% das clientes chegam à loja acompanhadas de seus filhos, mas lembra que ainda existe educação à moda antiga. “Mesmo com toda a autonomia das crianças, muitas vezes elas ainda obedecem às escolhas das mães”. E de acordo com a empresária, os pais podem ser classificados em duas categorias: aqueles que somente gastam com roupas de grife, e outro grupo consumidor apenas do necessário.

Pequenos compram mais
No segmento de produtos de higiene pessoal, a Shopping dos Cosméticos, também encontra nas meninas consumidoras exigentes. A procura por xampus e condicionadores, agora, ganhou novos reforços. Os cosméticos e produtos de tratamento capilar fazem parte da lista de compras e, ao que tudo indica, os garotos aderiram igualmente aos novos cuidados.

Segundo a coordenadora do shopping na área de treinamento, Renata Oliveira, houve crescimento de 50% nos gastos com as crianças. “A voz de comando dos pais está acabando, os filhos possuem opinião própria e as fazem valer, enquanto isso, os adultos recorrem ao método da negociação, prometendo dar à criança o que ela deseja em troca da arrumação do quarto ou de passar de ano na escola”, explica. Ao analisar o gasto dos pequenos clientes, para Renata tanto meninas quanto garotos consomem quase na mesma proporção. “Com o básico, as clientes até 12 anos gastam em média R$ 50 e, os meninos perto de R$ 40 devido à compra de produtos para coloração e reflexo nos cabelos”, conta.

Saber dizer não
O ponto positivo das crianças desta geração é a autonomia conquistada logo cedo e o rápido desenvolvimento nos vários âmbitos de suas vidas. Porém, alguns pais podem não estar conseguindo acompanhá-las e impor limites. “Saber dizer não na hora certa também contribui para o crescimento das crianças, para que no futuro elas não se transformem em pequenos tiranos consumistas”, afirma.

A partir de matéria de Juçara Menezes e Sara Waughan, do Jornal do Commercio (Manaus).

Comments

comments

Comments

comments