Arcor disputará mercados de biscoito e chocolate no Nordeste e Norte

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A palavra Arcor, nascida da união das duas primeiras sílabas da cidade e da província argentinas onde a empresa foi fundada – Arroyito e Córdoba – é reconhecida por uma pronúncia diferente no Nordeste do Brasil: “Arcór”, em vez do original “Árcor”. Sergio Asís, diretor-geral da filial brasileira, aposta que o som aberto da segunda vogal logo vai desaparecer na região, em especial em Recife (PE), onde começou a funcionar uma fábrica de guloseimas no início do ano e está sendo construído um centro de distribuição.

Juntos, os empreendimentos receberam R$ 58 milhões e estão gerando 400 empregos diretos, o que deve aproximar a marca argentina do consumidor local, mais acostumado aos nomes dos seus principais produtos – o chocolate Tortuguita, o biscoito Triunfo e o chiclete Big Big, líder no Nordeste.

Mais do que se familiarizar com a pronúncia correta do seu nome, o que a Arcor deseja mesmo é que os nordestinos e nortistas continuem a responder pelo maior crescimento regional em vendas da companhia, que teve um quarto do seu faturamento de R$ 815 milhões em 2006 proveniente do Norte e Nordeste. A nova fábrica, com capacidade de produção de 29 mil toneladas ao ano, e o centro de distribuição, que ocupará uma área de 5 mil metros quadrados, terão a missão de fazer com que a representatividade do consumo das duas regiões salte dos atuais 25% para um terço da receita da empresa no País dentro de três anos.

A julgar pelo desempenho do Norte e Nordeste em 2006, onde as vendas cresceram 20%, acima, portanto, da expansão de 15% do faturamento nacional, a meta não será tão difícil de atingir. “A consolidação da marca no Norte e no Nordeste é fundamental para a nossa estratégia de crescimento”, diz Asís, reforçando que market share em goma de mascar é de 52% nas regiões. “Agora, nosso foco é crescer com todas as categorias de produtos, o que envolve, além das guloseimas, chocolates e biscoitos”.

Nesse sentido, a empresa já vem desenvolvendo produtos especiais para quem mora mais perto da linha do Equador. A Tortuguita, por exemplo – um chocolate no formato de tartaruga – recebeu versão especial com flocos, que proporciona maior resistência ao calor. Os pacotes do cream cracker Triunfo dobraram de tamanho para ficar com 400 gramas, uma versão que atende o consumo em família. Também sob a marca Triunfo, chegou às prateleiras este ano um biscoito recheado redondo (preferido pelos consumidores locais no lugar do wafer), apresentado em embalagem menor, de 145 gramas, com preço sugerido de R$ 0,89. Foram desenvolvidos ainda pirulitos e chicletes nos sabores acerola, açaí e graviola.

Agora, com o novo centro de distribuição, o objetivo é atender todos os clientes do Norte e Nordeste com uma logística mais eficiente. “Hoje, de São Paulo ao Nordeste, a entrega pode demorar oito dias, mas com o centro de distribuição de Recife, todos os nossos produtos poderão estar nos clientes no período de 24 a 48 horas depois do pedido”, afirma Jorge Conti, diretor de marketing da Arcor.

Atualmente, a empresa tem cinco fábricas no País: as de biscoitos em Campinas (SP) e Contagem (MG), com as marcas Triunfo e Aymoré, a de chocolates em Bragança Paulista (SP), e duas de guloseimas – em Rio das Pedras (SP) e a nova em Recife, que será oficialmente inaugurada no dia 25 de maio, data prevista para começar a funcionar o novo centro de distribuição na capital pernambucana. Outros três centros são mantidos pela empresa no País (em Contagem, Bragança Paulista e Campinas). O Brasil é o segundo maior mercado da Arcor, atrás apenas da Argentina, onde a companhia mantém 30 fábricas (outras quatro estão no Chile, uma no México e uma no Peru). Em nível mundial, a empresa faturou US$ 1,6 bilhão no ano passado e exportou para mais de 120 países.

Os números da Nielsen também confirmam o consumo em ascendência na região, que supera a média do país. No Nordeste (CE, RN, PB, PE, AL, SE e BA), a venda de biscoito subiu 4,18% no ano passado e a expansão no país foi de apenas 0,36%. Em chocolate o aumento foi de 19,06% (frente a 17,15% no país) e, em gomas de mascar, o nordestino consumiu 21,65% mais, enquanto o mercado brasileiro comprou 17,85% mais do que em 2005.

Ainda assim, a empresa não pretende desfrutar, por enquanto, da sua licença para construir mais três fábricas em Pernambuco – projeto aprovado pelo governo do Estado em 2004, como parte de um programa de desenvolvimento local. “Não existem planos para outras fábricas na região”, diz Asís. Em 2007, sua meta é faturar cerca de R$ 940 milhões. Para isso, dobrou o número de promotores de vendas no Norte e Nordeste.

Fonte: Valor Online – 05/04/2007

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