Alimentos não-saudáveis são 72% das propagandas

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(Liana Aguiar)

Alimentos não-saudáveis são maioria na televisão e nas revistas, aponta estudo da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa, divulgada na semana passada na Organização Pan-americana de Saúde (Opas), em Brasília, mostra que os cinco alimentos mais anunciados não são saudáveis e que metade das propagandas é direcionada ao público infantil. Os fast food representam 18,4% das propagandas, guloseimas e sorvetes, 16,9%, refrigerantes e sucos artificiais, 13,7%, salgadinhos de pacote, 12,8%, e biscoitos recheados e bolos, 9,8%. Tudo o que as crianças adoram.

Na casa de Joicy Gonçalves de Campos, 26, no Setor Sudoeste, as crianças passam a manhã inteira deitados no tapete da sala, na frente da telinha. Assistem à programação infantil, até aos comerciais. Jhesse Rafaela Gonçalves Marques, 12, observa que a TV veicula muitas propagandas de bolacha recheada e refrigerante. “Se não temos esse tipo de comida em casa, dá vontade de comer”, exemplifica a menina.

Joicy conta que Jhusley Rafael Gonçalves Marques, 7, é o que mais gosta de TV e assiste a desenhos matutinos. Jhusleo Gonçalves Marques, 5, prefere o videogame, mas acompanha os irmãos durante a programação infantil da TV. A mãe afirma que eles pedem muito sorvete, refrigerante, bolachas e que os anúncios de salgadinhos são as preferidas da meninada. “Acho que essas propagandas influenciam as crianças, sim. Mas eu evito comprar bolacha recheada, que eles gostam muito”, conta.

As pesquisadoras do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da UnB, Elizabetta Recine, Renata Monteiro e Janine Coutinho, gravaram durante um ano 20 horas diárias de programação de TV, um total de 4.160 horas de gravação de quatro canais – dois da TV aberta, dois da TV paga. Também fizeram a assinatura de 18 revistas de grande circulação e variados públicos – adultos, femininas, adolescentes e crianças. Foram 128.525 propagandas. Desse total, 17% era relacionado a anúncios em geral. Desses, 10% eram de alimentos – 71,6% não-saudáveis.

As pesquisadoras concluíram que a propagandas de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal são as mais comuns. Constataram que as estratégias de marketing são voltadas ao público infantil e promovem sua identificação e que os alimentos estão relacionados ao aumento da incidência de sobrepeso e obesidade.

Elizabetta explica que, até os 8 anos, a criança não consegue filtrar o que é realidade e o que é propaganda, que, portanto, estimulam o consumo. Segundo a pesquisadora, o objetivo é que a pesquisa sirva como banco de dados para subsidiar o Congresso Nacional e Ministério da Saúde sobre algum tipo de regulamentação de propaganda para a alimentação da criança e até proibir determinados tipos de anúncios durante a programação infantil.

Fonte: Hoje Notícia – 02/07/08

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