Acelerem as máquinas, a Barbie sumiu

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Empresas nacionais planejam ampliar a produção para ocupar lugar da Mattel, que está proibida de importar

(Ana Paula Lacerda)

A demora na definição das atividades da Mattel no Brasil está levando muitos fabricantes a se prepararem para um possível crescimento extra neste fim de ano. Proibida pelo governo de importar brinquedos – incluindo a Barbie – desde agosto, e sem prazo para que a situação se reverta, a empresa teme que não possa abastecer os pontos-de-venda para o Natal.

‘A Mattel acredita em uma rápida solução para as questões relacionadas às licenças de importação’, informa a empresa. ‘No entanto, caso isso não aconteça, os efeitos serão devastadores tanto para a companhia como para o varejo, já que muitos deles dependem dos negócios da Mattel. Distribuímos nossos produtos em 18 mil pontos-de-venda e muitos deles são de pequeno porte.’

A indústria nacional, porém, afirma que pode ocupar o espaço deixado pela Mattel. ‘Só em bonecas, temos cerca de 800 modelos disponíveis no Brasil’, diz o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista. ‘A partir da primeira semana de outubro começam as compras de Natal no varejo. O fabricantes brasileiros vão fazer uma reunião dia 25 de outubro para decidir se a situação das importações exige aumento da produção interna ou não.’ Atualmente, cerca de 30% dos brinquedos vendidos no Brasil são importados – a Abrinq estima que 15% pela Mattel.

A Estrela, fabricante da maior rival da Barbie no Brasil, a Susi, lançou recentemente uma versão nova da boneca e espera crescimento de pelo menos 30% nas vendas. ‘As encomendas já estão 25% maiores que as do ano passado. Até o fim do ano, devemos vender 800 mil unidades da nova Susi’, estima o diretor de Marketing, Aires Fernandes. ‘Mas, se a proibição às importações de nossa concorrente continuar, temos condições de aumentar a produção para preencher o espaço.’

A empresa produz em média 4 mil Susis por dia em suas fábricas no interior de São Paulo e Minas Gerais, fora outras bonecas, como a Moranguinho e bonecas-bebê. ‘As bonecas representam 40% do nosso faturamento. É a maior fatia, à frente mesmo de jogos, que incluem clássicos como Jogo da Vida e Banco Imobiliário.’

O mercado interno de brinquedos movimenta R$ 1,1 bilhão por ano. Desses, R$ 440 milhões são bonecas. ‘Como o principal atributo da brincadeira é a imaginação, há espaço tanto para a boneca com vestido de chita quanto para a fashion doll, que fala e tem mil acessórios. Indicações de amigas e a presença no ponto-de-venda influenciam menos que a marca na escolha da boneca’, diz Batista, da Abrinq.

O superintendente das empresas Acalanto e Baby Brink, Audir Giovani, diz que uma brecha para que os brasileiros expandam os negócios seria bem-vinda. ‘A indústria tem capacidade ociosa acima de 50%. Um aumento na produção poderia significar rápido aumento no número de empregos e é muito melhor criar emprego no Brasil que na China.’ Além de linhas próprias, a Baby Brink licencia personagens de televisão como Chiquititas e Lazy Town. ‘O que aparece na mídia tem boa resposta das crianças.’

A fabricante Ifa diz que poderia dobrar a produção, se necessário. ‘E entregamos ao lojista num prazo muito menor que os importados’, diz o diretor da empresa, Antonio Rugolo.

CONCORRENTE DE FORA

Com esse raciocínio, a Gulliver também espera no Natal um bom desempenho das estrangeiras Bratz, impulsionado pelo lançamento do filme com as personagens. ‘Importamos as Bratz porque são fashion dolls diferentes das principais concorrentes. Têm visual mais juvenil e descolado, não de mulher adulta’, explica o diretor comercial Paulo Benzatti. Elas representam 10% do faturamento da empresa. ‘Desde o lançamento, as Bratz conquistam espaço de bonecas tradicionais. Possivelmente, ganharão mais força no cenário atual.’

Fonte: O Estado de S. Paulo

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